Hoje te vi mergulhado em si,Na agonia de quem não pode sair,
Do pior dos cárceres...
Não é frio, não é fogo. É corpo!
Ele é alguém perdido em seus atos,
E se encontra frágio como um fino cristal,
Que tomba ao chão espalhando os cacos,
Cacos pesados que sonham em voar,
Como as cinzas de uma fogueira morta.
Na neblina há um Deus de mãos atadas,
Que nada é capaz de fazer para salvá-lo,
Que apenas lamenta suas escolhas erradas,
Para depois no juíso chamá-lo de réu,
De anjo torto que uma vez caiu do céu.
Um sádico resolveu colocá-lo no mundo,
Não foi pai, não foi mãe, não foi Deus,
Talvez o ser mais perveso e imundo,
Que o escolheu para sofrer por amor,
Nas cenas frias de um filme de horror!
Ele levanta seus olhos e fixa-os em mim,
Como a fome clamando por pão,
No seu rosto o começo do fim,
Está morto e espera uma vaga no inferno,
Onde a tristeza se derrete e vira lágrima!
Ele amaldiçoa o dia em que nasceu,
Sob o velório que a lua preparou para ele,
Observa a cachoeira atirando-se no breu,
Num eterno suicídio das águas,
Que pedem para serem veladas no chão.
Ele vai pela brisa da noite a sonhar,
Na esperança de poder afastar sua dor,
E quem sabe deixar suas magoas no ar,
Pendendo como um anjo sem asas,
De encontro ao cadaver das águas!
Hoje te vi esperando a noite chegar,
Sentindo o vento do abismo cortar,
Você não volta mais...
Sem medo, sem dor, tudo se apagou...
(Leonardo Dias e Marina Santos)
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