sexta-feira, 12 de agosto de 2011

No Limite

















Presos por pouco tempo nesta ilha, amor!
Sexo sincero sem leis e compromissos.
Diversão sem limites vai curar a nossa dor.
Gargalhadas safadas em vez de leves risos.
Regadas de alcool por amor aos nossos vícios!

Continue sem remorço de voltar cedo pro barro,
Pois temos línguas e lábios em nosso beijo azedo.
Dividiremos o sabor do nosso último cigarro,
Preenchendo com orgasmo o que antes era medo
Incansavelmente até que tarde vire cedo!

Outra manhã suada que exala nosso cheiro.
Nossos olhos ardentes insistem em fechar.
A maconha já espera pra deitar em seu cinzeiro.
Maresia nos convida pra mais um banho de mar.
Enquanto os restos da fogueira se divertem pelo ar!

Estamos juntos nesta ilha deserta, querida!
A sanidade por inteira perderemos nesse chão!
Em um livro está escrito que a morte leva à vida.
Não deixe qualquer regra impedir sua diversão.
Regras são pra fracos que se importam em ter perdão!

As estrelas no céu observam nossa orgia;
O gramado é macio por que muito você sua.
Somos sexo e drogas até cair de anemia.
A noite é persistente e ainda continua.
Até chegar o sol para assassinar a lua!

Talvez fiquemos presos para sempre, amiga!
Como animais selvagens escravos desse lar.
Um simples eu te amo preciso que me diga.
Pois sou muito covarde pra poder te perguntar.
No teu sim eu me deleito como um rei no seu manjar!

Mesmo na doença não perdemos o prazer.
Pois te faço uma mulher e você me faz um homem!
Mesmo na pobresa temos vontade de viver.
Qualquer dificuldade que aparece logo some.
Nosso corpos se possuem e saciam nossa fome!

Nossa pele já é fria como os polos no inverno.
Não veremos o tempo nossas faces deformar.
Quando a morte nos levar até o fogo do inferno,
Lá embaixo a brincadeira vai poder continuar,
Finalmente ensinaremos o diabo a pecar!

(Leonardo Dias)


domingo, 7 de agosto de 2011

Volta para Casa

     Todos os dias quando estou no ônibus voltando para casa, eu fico pensando nos meus objetivos de vida e chego a conclusão que nascer foi meu pior castigo. Ainda que eu tenha saudades de caçar borboletas, a vida nunca foi tão divertida para mim.. O fato de os meus princípios afastarem de mim muita gente não me incomoda, sei que elas não me fazem falta, e é bom, pois isso evita que eu me torne mais um assassino frio e calculista nas cenas de homicídios dolosos triplamente qualificados. Algumas pessoas têm um jeito tão encantador que eu prefiro tratá-las com frieza para evitar me apaixonar. As vezes olho para a face saudável de outras e fico me perguntando sobre como elas conseguem ser tão comuns, passar pela vida como mais um infeliz que foi ensinado a viver e a morrer. Alguém com certeza colocou em suas cabeças que elas são felizes, que seus sorrisos não são tão amarelos, e que seus lindos olhos são realmente as janelas de suas almas.
     A verdade é que sofro de tuberculose e o fumo só piora minha situação.
     A cerveja? O gosto amargo me rasgava a garganta, era como alguém mascarado tentando me estrangular, hoje em dia a cachaça me encanta, ela põe um riso leve e infantil em meu rosto que meus amigos há muito não são capazes de esculpir. As estrelas do céu me faziam sonhar antes mesmo de dormir, hoje em dia me lembram que eu sou a insônia da noite esperando os vaga-lumes apagarem para dormir. Já acreditei no mundo, já confiei em pessoas comuns:duas pernas, dois braços, trinta e dois dentes. Atualmente, por um tempo, preciso me isolar, ainda tento entender certas atitudes que eu julgo certas, mas que todos insistem em dizer que são erradas. Talvez eu seja um erro. Não que eu me importe com este tipo de vida destrutiva em que assassinar meu corpo é libertá-lo, o que me incomoda é ver a tristeza nos olhos de meus amigos, que pensam que serei infeliz no futuro, eu realmente queria que eles entendessem que serei jovem eternamente, levarei pro túmulo a beleza que meus vinte primeiros anos me deram, não permitirei que o tempo roube ela de mim.
O ônibus pára no semáforo, meus pensamentos então alimentam uma cena em câmera lenta do veículo indo de encontro ao poste. Eu escuto perfeitamente os curtos gritos de maneira mais demorada, eu vejo detalhadamente cada olhar de pavor, eu sinto na alma cada criança tendo suas vidas ceifadas pela foice de algum destino incopetente, o motorista sujar o volante de sangue, os idosos quebrando suas últimas vértebras, um eventual cão guia vendo seu dono entrar na escuridão completa da morte. A morte, sim, ela também sempre chega à minha poltrona, posso sentir as dores vindo em conta gotas, as ferragens da lataria tocando meu abdomem, a alma descolando do corpo. Uma voz me diz que não é hora de se arrepender, é hora de conhecer a dor, o terrível lugar destinado aos pecadores.
     O ônibus explode, os corpos carbonizam, o cão sente ciúmes do seu dono guiado pelos anjos, a perícia recolhe as arcadas dentárias onde a minha parece sorrir.
Ao descer do ônibus eu sempre me pergunto o por que de tanta desgraça só ser possível em minha mente, pois finalmente eu ficaria livre da dificuldade que tenho para amar, da frieza que gelou meu espírito, do deus que eu achei que existia, da comida que como apenas para matar a fome, do gato morto no quintal... Da vela da cozinha que não acende mais.

(Leonardo Dias)

NOTA: Isto se trata de um texto fictício.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tentar.

"A estrada para o verdadeiro amor sempre tem obstáculos."
 Nada mais sugestivo que essa frase chegar até mim...


É exatamente o que está acontecendo. Uma estrada com obstáculos. Não sei se na metade do caminho há um muro de concreto que minha força não é suficiente para derrubar. Quando vi essa pessoa pela primeira vez, pela segunda vez... em todas havia um motivo para não seguir em frente e tentar. E eu quero arriscar, mesmo que não dê certo!

Me páro pensando em tentar, talvez errar, mas não desistir.


Tudo parece coincidência, mas eu quero um destino.
Quero um destino com Ela. Um destino para poder recomeçar.


Que meus primeiros erros permaneçam esquecidos no passado!
Que tudo que eu sonho e desejo se torne real!
Que para ela meus esforços possam valer a pena!


(Marina Santos)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Menino Santo

Menino santo, cuidado com o que vê
Seus olhos podem estar te enganando
Tem certeza que no espelho é você?
Parece que ele está lhe acenando...

Menino santo, nunca pare de trotar
As sombras estão por toda parte
Como estrelas que cansaram de brilhar
Bem e mal se misturam numa arte

São como os anjos e os demônios
Que vão se confundindo em sua mente
Poderia quem sabe ser um sonho
Mas você não se encontra mais dormente

Menino santo, a porta abriu sozinha
E ela estava trancada por dentro
Não vejo ninguém na cozinha
E não creio na força do vento...

As Bíblias que lá você comprara
Disseram que seria livre um dia
Mas cá a liberdade está tão cara
Quem que abriu a torneira da pia?

Menino santo, e as cartas do baralho?
Elas disseram que você irá morrer
Será uma morte lenta no trabalho
É mais fácil no baralho tu não crer...

Como buracos na camada de ozônio
A loucura aniquila a sua mente
Pra você um anjo e um demônio
Não parecem mais tão diferentes

Menino santo, que pensas em fazer?
A psicóloga te espera na porta
Você não tinha mais nada a perder
A psicóloga agora está morta!

És louco como imperador romano
És o odio assassinando o amor
És mortal como todo ser humano.
Menino santo, tu agora és pecador!

(Leonardo Dias)

NOTA: O poema retrata a história real de um menino, que após ter alucinações, querer morar com um suposto amigo e sentir vontade de matar, foi diagnosticado como esquizofrênico, e até hoje permanece internado.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lonely.

As palavras que eu estou dizendo agora
Eu não sei se irão te machucar
Elas provavelmente farão você me odiar para sempre.

Você, dizendo que eu não sou a mesma como eu costumava ser,
Não é completamente falso,
Isso me mudou, é completamente estranho para mim.

Você é tão gentil, esse é o jeito que você é, mas...

Eu não sei, eu não sei
Porque eu sou assim

Nós estávamos tão apaixonados e você está aqui agora, mas...

Eu não sei
Eu quero me encontrar agora.

Eu sinto muito, mesmo quando estou com você, eu estou  sozinha
Eu devo estar em deficiência no amor
Por favor,  perdoe essa pessoa horrível que eu sou

Sinto muito, esta é a minha e sua história,
Eu não devo ser dígna dessa coisa chamada amor,
Mesmo quando estou ao seu lado.

Você não fez nada de errado,
Eu sou a única estranha,
Parece que eu já fui preparada há muito tempo, para o nosso rompimento.

Eu realmente queria te tratar bem, há tanto tempo.
Porque é assim quando estou amando?
Estou encolhendo e ficarei para sempre sozinha.

Você é tão gentil, esse é o jeito que você é, mas...

Eu não sei, eu não sei
Porque eu sou assim

Nós estávamos tão apaixonados e você está aqui agora, mas...

Eu não sei
Eu quero me encontrar agora

Porque eu sou apenas outra garota
Esta noite é solitária, eu...
Não aguento mais isso, adeus
Porque eu sou apenas outra garota
Eu estou sozinha
Mesmo que eu esteja ao seu lado agora, eu estou tão sozinha


NOTA: 2Ne1-Lonely

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Aquela Menina...

Se um dia ela disse que tudo aquilo ia passar, depois desejou voltar no tempo para que nunca tivesse aberto a boca.
Aos poucos aquelas palavras vinham e queimavam todos os seus sentidos, e ao som de quatro cordas criava melodias que a faziam refletir.
Tanta distância de nada serviu. Ainda sentia as lágrimas derramarem por um amor vivido junto ao desprezo.
Beijos e carícias sem sentir agora descansam sem segredos.
As horas passaram e ofegante permaneceu, sua alma foi roubada e agora... Fingir que nada importa não é válido.

(Marina Santos)

Matando Jessie

Você sabe que foi tudo culpa sua...

Peguei o punhal na sala de estar,
Na lâmina seca coloquei meu rancor,
Senti na garganta a ausência do ar,
Enquanto a lâmina refletia minha dor!

Você dormia feliz ao lado dela,
Roubou meu amor pra me ferir,
Acendi a chama fraca de uma vela,
E esperei até a coragem fluir!

Sentei bem ao lado de vocês,
Diante de um sádico espelho,
De vagar eu contei até três,
E o ciúme me deu um conselho.

Você estava como um anjo dormente,
Peguei uma manta no armário,
Cobri seu corpo e sua mente,
Imitando o Santo Sudário.

Amarrei suas mãos na cabeceira,
Lavei minha alma de tequila,
Sua pele brilhava de outra maneira,
Como esperasse uma morte tranquila!

Com a arma branca que amolei na dor,
Pela pele macia atravessei seu ventre,
Seus olhos abriram tomados por pavor,
Enquanto sua boca rangia seus dentes!

Você sentiu a pancada bem forte!
Com um olhar de derrota para mim,
Seu sono virou o sono da morte!
Em seus olhos escrevi o seu fim!

Senti o atrito entre o aço e a costela,
O ruido do metal ao rasgar seu couro!
Dos seus olhos limpei cada remela,
Com a ponta da faca brilhando como ouro.

Você queria me rogar maldição!
Mas sua voz foi a primeira a expirar,
Percebi que encontrei seu coração,
Quando o punhal começou a pulsar!

Suas lágrimas de sal nunca caiam...
Apenas enxarcavam seus olhos,
Se acumulavam formando um rio,
Que regava e hidratava o seu ódio!

Sua vida se uniu ao passado,
E eu ria bem na sua frente.
Vendo um corvo pousar ao seu lado,
E levar sua beleza diferente!

Vi a cena através do espelho,
Minha vitória através da sua dor,
Atráves do seu sangue vermelho,
Como os cabelos do meu grande amor!

(Leonardo Dias e Marina Santos)

NOTA.: O Poema retrata a atitude instintiva de uma mulher homossexual, que ao encontrar a companheira dormindo com outra, resolve assassinar a amante.

Suicídio das Águas

Hoje te vi mergulhado em si,
Na agonia de quem não pode sair,
Do pior dos cárceres...
Não é frio, não é fogo. É corpo!

Ele é alguém perdido em seus atos,
E se encontra frágio como um fino cristal,
Que tomba ao chão espalhando os cacos,
Cacos pesados que sonham em voar,
Como as cinzas de uma fogueira morta.

Na neblina há um Deus de mãos atadas,
Que nada é capaz de fazer para salvá-lo,
Que apenas lamenta suas escolhas erradas,
Para depois no juíso chamá-lo de réu,
De anjo torto que uma vez caiu do céu.

Um sádico resolveu colocá-lo no mundo,
Não foi pai, não foi mãe, não foi Deus,
Talvez o ser mais perveso e imundo,
Que o escolheu para sofrer por amor,
Nas cenas frias de um filme de horror!

Ele levanta seus olhos e fixa-os em mim,
Como a fome clamando por pão,
No seu rosto o começo do fim,
Está morto e espera uma vaga no inferno,
Onde a tristeza se derrete e vira lágrima!

Ele amaldiçoa o dia em que nasceu,
Sob o velório que a lua preparou para ele,
Observa a cachoeira atirando-se no breu,
Num eterno suicídio das águas,
Que pedem para serem veladas no chão.

Ele vai pela brisa da noite a sonhar,
Na esperança de poder afastar sua dor,
E quem sabe deixar suas magoas no ar,
Pendendo como um anjo sem asas,
De encontro ao cadaver das águas!

Hoje te vi esperando a noite chegar,
Sentindo o vento do abismo cortar,
Você não volta mais...
Sem medo, sem dor, tudo se apagou...

(Leonardo Dias e Marina Santos)

domingo, 31 de julho de 2011

Um Sonho que Tive...

Passar o dia lendo aqueles textos não é a melhor opção, pois sua imaginação começa a florescer, criar histórias, sonhos... Sonhos que são capazes de confundir todos os seus sentimentos.
Não era para ser assim, simplesmente aconteceu.Viver outros dias de extrema confusão, por quê?
-Sei que de ti nada terei, me liberte, me jogue no mais profundo de um abismo e diga que foi apenas um sonho.

(Marina Santos)

NOTA: Isso foi de um sonho que tive onde escrevia uma carta para uma pessoa.
Acordei e para não esquecer escrevi.
Voltei a dormir.

sábado, 30 de julho de 2011

Grito de Morte

Não gritei ao nascer. Quero morrer gritando. Meu grito de morte deve ser o mais alto possível, para compensar o silêncio fúnebre do meu nascimento. Que o eco de meu grito atrapalhe o vôo dos morcegos na noite, que eles choquem-se uns com os outros e juntem-se a mim. Quero que meu grito quebre a taça de vinho de meu assassino, claro, caso eu seja assassinado por um homem bebendo o drinque que eu sempre sirvo às minhas visitas na sala de estar. Que meu grito quebre a taça, que quebre as estrelas, o equilíbrio ecológico. Quero o grito mais perfeito, para que não o confundam com uma gargalhada, para que possa transmitir... Para que carregue nele (sem deixar cair) o pesar da minha morte. Quero o grito mais agudo, o harmônico mais potente, o uivo mais profundo... Para acender as luzes dos prédios da lagoa, para superar os três tenores, para atrair as cadelas no cio. Quero um grito denso, mais ou menos atordoante, que faça os ouvintes se sentirem num quarto escuro, como se o único sentido dos homens fosse a audição. Que haja na ciência a velocidade do som, a da luz, e a Velocidade Do Meu Grito. Quero as aves caladas e os galos mudos para que a aurora não cante em respeito à minha morte, não por um minuto de silêncio, quero a aurora calada para sempre. Quero o grito mais divino e mais pecador ao mesmo tempo, para que Deus e Diabo disputem minha alma. Que haja guerra no céu, que haja guerra no inferno, tudo pela minha voz, para me ter como líder de um coro de anjos divinos ou caídos. Que as cigarras envergonhadas não gritem mais. Quero um grito MAIS ALTO que o de alguém atropelado, que percebe por segundos que acaba de morrer, que não tem tempo para pedir perdão, que apenas percebe, grita e morre. Que não pisca, não respira, apenas olha para o motorista, grita alto (soprando sua alma para longe) e morre. Mas quero um grito MAIS ALTO: talvez o grito de um homem esfaqueado por trás pelo seu melhor amigo (dor, susto, ódio e decepção), onde a faca rompe o intestino grosso com um corte delgado, para que o mínimo de sangue saísse de seu corpo, e assim ele pudesse gritar por mais tempo, enquanto pisca, enquanto respira, enquanto olha para seu amigo assassino, enquanto, ainda gritando, pede perdão a Deus e morre. Quero ser lembrado como um homem que nasceu calado por um parto complicado e prematuro (ou por não querer nascer), e que agora desnasce gritando, talvez por uma felicidade mórbida e até macabra e sem motivo, é que o corpo grita de dor pela sua morte, mas há algo preso dentro dele que grita de alívio por sair de seu cárcere. Então eu seria uma lenda que contariam às criancinhas dizendo que meu grito saiu de mim, passou por cada tímpano, se somou a cada eco, percorreu o ar, a água, o vácuo, chegou ao Universo comum e paralelo, e lá fez um sexto sentido, um quinto elemento, um meio termo entre bem e mal, e assim fundou uma quarta dimensão, então passou a existir a Terra, o Céu, o Inferno e o Meu Lar, o lugar mais lindo entre todos os paraísos, onde a oitava maravilha do mundo é uma estrela no chão, o lugar para onde eu fui ao morrer, onde eu finalmente alcancei a paz, onde toda criança que corta seus pulsos gritando bastante merece morar.

(Leonardo Dias)